Fotojornalismo e o Plataforma: diálogo essencial - Plataforma Media

Fotojornalismo e o Plataforma: diálogo essencial

A imagem é, per si e nos dias que correm, meio caminho andado para atingir um fim. No Plataforma esse fim é a novidade, o facto, a notícia.

No Plataforma não descuramos a imagem. Jamais isso seria possível num projeto multimédia, onde damos destaque à fotografia e ao vídeo. E com o novo website, o leitor vai entender isso claramente.

Sendo fotojornalista, tenho a responsabilidade de assegurar, pelo menos, que as fotografias escolhidas para serem usadas nas notícias tenham, obviamente, qualidade estética, mas acima caráter informativo, naturalmente.

Tem-se visto, amiúde, um claro desinvestimento na boa fotografia jornalística. Fora honrosas exceções, a maioria da imprensa a nível mundial, seja em papel ou no online, maltrata a fotografia jornalística. Não existe uma aposta clara e inequívoca no fotojornalismo. O repórter fotográfico é quase sempre visto como o elo mais fraco e eu, desgostosamente, não entendo isso. Pior, não aceito.

Dá-se vezes demais a primazia a quem escreve, deixando para segundo plano o trabalho essencial dos fotojornalistas e fotógrafos documentais, muitos deles – cada vez mais – a trabalharem em regime de freelancer, e sabe-se lá em que condições. Tudo pela melhor fotografia. Tudo pela melhor história.

Um pouco de contexto. A fotografia de imprensa apresenta sempre uma estrutura autónoma. Ou pelo menos devia. Ainda assim, é importante considerar que a fotografia – e no caso particular do fotojornalismo – não está isolada na construção das notícias que compõem o Plataforma. Na verdade, a nossa fotografia está quase sempre rodeada de elementos que acabam por auxiliar ou direcionar à compreensão e leitura da imagem.

O repórter fotográfico é quase sempre visto como o elo mais fraco e eu, desgostosamente, não entendo isso. Pior, não aceito

A imagem fotográfica apresenta uma mensagem primeira, uma mensagem imanente, aquela que está registada na própria imagem, quando a olhamos pela primeira vez. É aquilo a que Roland Barthes denominou de óbvio, nas suas dissertações sobre fotografia e semiótica nos finais dos anos de 1970 e princípios dos anos de 1980. Esse óbvio, para nós, terá que ser sempre claramente diferenciador. É importante considerar que o fotojornalismo possui a capacidade humana de mudar as nossas vidas. É um testemunho único, um espelho da realidade e desse caminho não pode desviar-se.

Voltando ao presente. O Plataforma assume com o leitor um compromisso. Aliás, assume vários. E vai cumpri-los. Um deles é – e será – o de mostrar as melhores imagens fotojornalísticas. Porque sim. Porque é nossa obrigação. Gostamos da imagem. Criamos galerias, gravamos vídeos, construímos multimédia.

Está no nosso ADN e desse compromisso, não fujo.

*Fotojornalista e editor de português do Plataforma

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