Macau admite contratar terapeutas da fala não residentes em resposta a escassez - Plataforma Media

Macau admite contratar terapeutas da fala não residentes em resposta a escassez

O Governo de Macau admite contratar terapeutas da fala não residentes no território, para fazer face à insuficiência destes profissionais, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de inteligência artificial para auxiliar crianças com transtornos da linguagem.

O anúncio foi feito em resposta a uma questão parlamentar apresentada pela deputada Lei Cheng I, questionando o executivo sobre a escassez de terapeutas da fala, numa altura em que os profissionais residentes em Hong Kong, contratados “para atenuar a carência”, “não podem deslocar-se a Macau” por causa das restrições instauradas para combater a propagação da pandemia de covid-19.

A deputada também questionou “a oferta e a procura” de terapeutas para os próximos cinco anos.

Em resposta de 25 de agosto, divulgada apenas hoje, o Governo admitiu que, “para fazer face a essa insuficiência de terapeutas”, o Instituto de Ação Social (IAS) “permite que, caso seja necessário, os equipamentos sociais possam solicitar e recrutar um número adequado de trabalhadores não residentes”.

O executivo sublinhou, no entanto, que se trata apenas de “uma solução de curto prazo”, na “condição de salvaguardar as oportunidades e os benefícios de emprego dos residentes locais”.

O Governo confirmou igualmente que, “devido ao impacto da pandemia do novo coronavírus”, os terapeutas recrutados em Hong Kong “não podem temporariamente vir prestar serviços no território”. Por essa razão, o IAS encaminhou os “utentes afetados para receber tratamentos em entidades apropriadas no território”.

Até 31 de julho, havia 230 utentes, com idade igual ou inferior a três anos, “a receber os serviços do IAS e das instituições de intervenção precoce, não se encontrando de momento ninguém na lista de espera”.

Para responder à procura acrescida, o Centro Hospitalar Conde de São Januário, o hospital público do território, alargou o horário de atendimento, com “horas extraordinárias aos fins de semana”, e adquiriu “serviços de terapia da fala a instituições médicas qualificadas sem fins lucrativos”, informou ainda o executivo.

Os serviços de saúde também estão a desenvolver um projeto de investigação que visa criar “um sistema de assistência à terapia da fala com inteligência artificial”, em cooperação “com instituições de pesquisa científica”, informou o executivo.

No futuro, o projeto “poderá fornecer métodos […] de reabilitação” para crianças com transtornos de linguagem, “além de resolver o problema de insuficiência de terapeutas da fala” e “incentivar os pais a participar ativamente […] na reabilitação infantil”, lê-se na resposta.

De acordo com dados do Governo, o território contava no último ano letivo com 18 terapeutas da fala, além de 23 fisioterapeutas e 46 terapeutas ocupacionais, que prestaram serviços em escolas oficiais e particulares com turmas do ensino especial.

O número de terapeutas da fala caiu este ano para metade, com apenas nove a prestar serviços até abril, de acordo com o executivo.

O Governo recordou que o Instituto Politécnico de Macau tem desde o ano letivo de 2017/2018 um curso de licenciatura em Ciências de Terapia da Fala e da Linguagem, “com o objetivo de formar quadros profissionais locais nesta área, aliviando a procura” em Macau.

“Atualmente, o número de estudantes inscritos é de 68”, informou o Governo, que prevê que os primeiros 16 licenciados concluam o curso em 2021.

Macau registou 46 casos de covid-19 desde o início da pandemia, no final de janeiro, não contando atualmente com nenhum caso ativo.

Apesar disso, as entradas no território continuam a ser limitadas a cidadãos chineses e residentes.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 847.071 mortos e infetou mais de 25,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Assine nossa Newsletter