Oriane e a "utopia" de um "castelo de terra" no Brasil. "A gente quer viver sem dinheiro" - Plataforma Media

Oriane e a “utopia” de um “castelo de terra” no Brasil. “A gente quer viver sem dinheiro”

Oriane Descout é uma realizadora de cinema que resolveu abandonar Paris, onde vivia, para se aventurar num estilo de vida autossustentável, no meio da floresta, no Brasil, onde quer construir uma “utopia”

Periferia é, na significância brasileira, uma palavra com o peso da dificuldade no acesso às condições que cabem aos bairros nobres das grandes cidades. Oriane Descout, que procurava manter-se nos subúrbios das lutas urbanas, anteriormente vividas em Paris, compreendeu que há muito combate patente no ato do distanciamento. Em sete anos, a realidade do país tropical impeliu-a cada vez mais a viver longe das desigualdades do capitalismo, mas concluiu que a realidade, mais tarde ou mais cedo, encontra a utopia. “Antes tínhamos uma ideia de utopia fora do mundo. Mas o mundo político do Brasil fez-se mais presente. Houve um golpe contra a Presidente Dilma, que foi eleita democraticamente. Quando lutamos por uma justiça social, por uma reforma agrária e saúde pública, as reformas políticas afetam as nossas lutas.” O que Oriane Descout conta à TSF é um caminho de estradas sinuosas, plasmado em “Castelo de Terra”, um documentário sobre as ideias de autogestão, sustentabilidade e autossuficiência que se instalaram com ela numa ecovila no interior rural do Brasil.

Formada em cinema e direção de fotografia, Oriane Descout vinha da cidade das luzes. Depois de se formar, fez ainda um intercâmbio na Nova Zelândia e na Austrália, e voluntariado em “fazendas” orgânicas, através de um programa de voluntariado em rede, o Wwoof. “A gente trabalhava em fazendas, em troca de comida e alojamento, e foi assim que eu vim para o Brasil”, rememora. “Aos poucos, fui descobrindo esta atração pela floresta e pela natureza, pelos animais, pelas plantas. Ainda estou a descobrir, porque esta não era a minha natureza de moradora da cidade.”

Quando a realizadora morava em Paris, “cada um vivia no seu espaço pequenino” e todos pagavam “muito, porque as rendas são muito altas”. Agora, Oriane Descout olha para trás para saudar a decisão que tomou: “As lutas urbanas são outras lutas. Na roça, você planta uma semente e, passados uns meses, temos uma fruta para comer, um legume para colher. As coisas concretizam-se muito mais rápido, mesmo que às vezes pareça que é devagar.”

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