"Irão morrer dez mil portugueses até meados de março, muito mais do que até agora" - Plataforma Media

“Irão morrer dez mil portugueses até meados de março, muito mais do que até agora”

A modelação da doença feita pela equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa indica que vão morrer mais portugueses nos próximos dois meses por covid-19 do que em dez meses de pandemia, a 16 de março poderemos ter 20 mil vítimas. Que vamos a caminho dos 6500 internamentos nas unidades hospitalares, 800 só em UCI, e de muito mais do que os 200 óbitos por dia.

Nas últimas semanas, a realidade está a antecipar-se aos modelos matemáticos e os cenários previstos poderão agravar-se com a nova variante.

Os números são chocantes e os óbitos “a parte triste dos números”, desabafa o professor Carlos Antunes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que integra a equipa que faz a modelação da covid-19 a curto e médio prazo desde o início da pandemia. Carlos Antunes começa por referir ao DN que “ninguém pode dizer com certezas o que vai ou não acontecer daqui para a frente”, mas o que se vê nesta altura é que a própria realidade se está a antecipar aos modelos matemáticos.

Foi o que aconteceu ontem, mais uma vez, quando o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelou que se alcançou os 218 mortos, os 5291 internamentos em enfermarias e os 670 em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), porque para esta data os modelos matemáticos previam um valor médio de óbitos diários de 176, só devendo atingir-se os 200 no início de fevereiro.

A grande preocupação dos cientistas é que os cenários traçados para daqui a 15 dias ou um mês possam ser completamente ultrapassados se a nova variante começar a circular em força no nosso país. “Os cenários que temos agora traçados poderão ser ultrapassados daqui a quatro ou cinco semanas com a nova variante. Os especialistas não têm duvida de que se irá tornar dominante em relação à que já circula, e se agora não estamos a conseguir dominar o contágio, nessa altura vamos ter muito mais dificuldade, pois é sabido que a velocidade com que se propaga é muito maior”.

Provavelmente, todos os cenários serão ultrapassados, o que faz o professor do Departamento de Engenharia Geográfica e Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências dizer que, neste momento, estamos a perder tempo com discussões académicas sobre se as escolas devem ou não fechar. Como diz, na ausência da certeza se o aluno é infetado na escola ou em casa, vale o princípio máximo da precaução: o melhor é ficar em casa”.

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