Biden dá início a plano sobre mudanças climáticas às custas do Canadá

Biden dá início a plano sobre mudanças climáticas às custas do Canadá

Para combater as mudanças climáticas, o presidente Joe Biden decretou nesta quarta-feira (20) o regresso dos Estados Unidos ao Acordo Climático de Paris e deteve a construção de um polêmico oleoduto apesar do risco de esfriar as relações com o Canadá

“Vamos combater as mudanças climáticas como jamais fizemos até agora”, disse Biden no Salão Oval da Casa Branca horas depois de assumir suas funções.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou “calorosamente” este anúncio e os instou a propor novos  “ambiciosos” objetivos climáticos.

“Welcome back” (bem-vindos de volta), disse o presidente francês, Emmanuel Macron ao cumprimentar Biden pela posse.

O retorno ao acordo de Paris implica um processo de 30 dias depois que os Estados Unidos enviarem uma carta à ONU, manifestando o desejo de voltar.

Desmontar o oleoduto Keystone XL, que conecta as areias betuminosas de Alberta às refinarias da costa texana foi uma promessa eleitoral de Biden como forma de contribuir a conter as mudanças climáticas.

Este projeto, apoiado por Ottawa, foi lançado em 2008 e detido pela primeira vez por Barack Obama, que invocou a defesa do meio ambiente. Mas Trump o reviveu por razões econômicas.

“Saudamos o compromisso do presidente de lutar contra as mudanças climáticas, mas estamos decepcionados por sua decisão sobre o projeto do Keystone XL”, disse Trudeau horas depois de ter cumprimentado Biden.

Depois de quatro anos de Donald Trump na Presidência, os especialistas consideram que o democrata vai restaurar a credibilidade dos Estados Unidos no cenário internacional, propondo-se objetivos concretos com vistas a alcançar a neutralidade de carbono até 2050. 

Para isso, Biden planeja reunir os líderes dos países mais poluentes em uma cúpula na qual pretende convencê-los a tornar seus compromissos ambientais mais ambiciosos.

“É importante que os Estados Unidos demonstrem que estão decididos, especialmente em casa”, disse David Waskow, do World Resources Institute, um centro que defende que os Estados Unidos estabeleçam uma redução de 45% a 50% das emissões totais de gases de efeito estufa até 2030 com relação aos níveis de 2005.

Há muitas medidas ao alcance de Biden para reparar os danos ambientais causados pelo antecessor. 

Pode, por exemplo, restaurar as regulamentações sobre as emissões de gases contaminantes eliminadas por Trump e fixar novas normas, como a proteção de 30% das terras e das águas americanas gradativamente até 2030.

Economia verde

O presidente democrata vai apresentar ao Congresso no mês que vem seu plano de 20 bilhões de dólares para o clima, que supostamente aponta a aplicar normas verdes duradouras no coração da maior economia do planeta.

Biden prometeu “fazer frente à crise climática, construir uma economia baseada na energia limpa, atacar as injustiças ambientais e criar milhões de empregos bem remunerados”.

As medidas são muito similares ao “green new deal” ou “novo pacto verde” defendido pela ala progressista do Partido Democrata. 

E é ali onde as coisas podem se complicar: os democratas vão exercer um controle muito frágil no Senado e podem enfrentar posições contrárias e protestos.

“O desafio será reunir os republicanos em torno de um projeto de infra-estrutura de energia limpa para que possa reduzir significativamente as emissões americanas”, disse à AFP Paul Bledsoe, assessor climático do ex-presidente Bill Clinton e especialista do Progressive Policy Institute. 

Mas incorporar plenamente a ação climática à forma como se constrói a economia é o que a transformará em uma agenda “sustentável”, disse Waskow. 

Os desafios políticos e técnicos são importantes e Biden estará sob pressão para não reduzir rápido demais os combustíveis fósseis, especialmente o gás natural, que ajudou os Estados Unidos a baixar as emissões durante uma década e que é considerada uma energia de transição essencial.

Mas também ocorre em um momento em que as mudanças climáticas registram recordes e boa parte da opinião pública americana quer ver ações imediatas.

Uma pesquisa realizada depois das eleições e publicada na semana passada por um programa da Universidade de Yale mostrou que a maioria dos eleitores dos dois partidos apoia as políticas para reduzir a contaminação por carbono e promover as energias limpas.

Cinquenta e três por cento dos eleitores acreditam que o aquecimento global deve ser uma “prioridade importante” ou “muito importante” para o presidente e o Congresso, e dois terços veem o desenvolvimento de fontes de energia limpa como uma prioridade “alta” ou “muito alta”.

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