Quando for grande - Plataforma Media

Quando for grande

Macau é muito pequeno. Se pudermos, queremos ir a sítios mais distantes para conhecer o mundo. Talvez seja essa a razão pela qual, anualmente, mais de metade dos alunos de Macau decidam estudar no estrangeiro.

Com a epidemia Covid-19 fora de controlo, os residentes de Macau que trabalham e estudam no exterior têm de regressar a Macau. A Air Macau traz centenas dos residentes de Macau de volta à terra. No entanto, eles são acusados de destruir a estabilidade pacata da região. O pânico do vírus deixa-nos ficar perdidos. Um dia, esses alunos irão, eventualmente, ganhar asas e contribuir para Macau.

Eu, que agora estou em Macau, há um ano estava em Portugal. Compreendo perfeitamente as situações e as preocupações dos dois lados.

Ao contactar, nos últimos anos, com o povo de países lusófonos, tornei-me uma pessoa mais compreensível e tolerante. Adicionalmente, este processo permitiu-me refletir com mais profundidade sobre a minha própria cultura e a da minha terra.

Um amigo português sintetizou a respetiva visão das pessoas de Macau com uma única palavra – “insegurança”. Macau é uma pequena terra com muita população, mas falta diversidade. O círculo das relações é pequeno e todos se conhecem. As pessoas de Macau têm ansiedades e receios no coração, tomam muito cuidados nas palavras e nas ações públicas, comportam-se como se fossem “bons filhos”.

Tal como a situação que Portugal enfrenta perante outros grandes países europeus, Macau, mesmo sendo uma cidade pequena, queria ser um bom exemplo.

Embora a China e Portugal tenham uma história comum de intercâmbio em Macau, ao longo de centenas de anos, as diferenças culturais entre Oriente e Ocidente nunca desapareceram. As duas comunidades não se cruzam, parecendo viver em dois mundos paralelos. Para os chineses faz sentido que se ofereçam fraldas no voo que traz residentes de volta a Macau, pois os interesses coletivos são supremos. Mas isso abala os nervos sensíveis dos portugueses que privilegiam o respeito pela liberdade
individual e os direitos humanos.

O aparecimento da PLATAFORMA vem precisamente colmatar esta falha. Embora o projeto ainda esteja no início, quando chegar o momento certo, estou convencido de que irá levantar voo e ter certamente um grande sucesso. Agradeço novamente ao Diretor Executivo do Plataforma Media (online), Arsénio Reis, ao Diretor-Geral, Paulo Rego, à Administradora, Alexandra Lemos por me terem dado esta oportunidade de assumir a direção, facilitando a aproximação entre pessoas de comunidades diferentes, que conheçam um novo mundo, tão colorido e heterogéneo.

Tal como refere a letra da música “Quando eu for grande (Carta aos meus netos)”, do falecido cantor português José Mário Branco: “Quando eu for grande quero ser, ponte de uma a outra margem, para unir sem escolher, e servir só de passagem…”

*Diretor Executivo do PLATAFORMA MACAU

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