"Os porta-aviões da China não representam uma ameaça séria para o Japão"

“Os porta-aviões da China não representam uma ameaça séria para o Japão”

O académico Tetsuo Kotani, investigador do Instituto de Relações Internacionais japonês, analisa a tensão militar na Ásia Oriental, sobretudo o esforço estratégico de Pequim para perturbar a liberdade de ação dos EUA no oceano Pacífico. Participou na conferência Oceano que Pertence a Todos, em Lisboa.

Os porta-aviões estão de volta à Ásia Oriental, primeiro pela China, agora pelo Japão e num futuro próximo, prevê-se, pela Coreia do Sul. Porquê esse investimento num tipo de navio muito caro?

Hoje em dia os porta-aviões são uma plataforma vulnerável. Os porta-aviões da China não representam uma ameaça séria para o Japão, pois são fáceis de afundar por mísseis e submarinos. A China está a mostrar os porta-aviões, principalmente por motivos de orgulho nacional, embora possam ser uma ameaça para as pequenas nações do Sudeste Asiático. O Japão está a converter os porta-helicópteros em porta-aviões leves, já que, apesar de tudo, as bases aéreas fixas em terra são mais vulneráveis ​​aos mísseis chineses. A Coreia do Sul vai introduzir porta-aviões leves, mas isso não faz sentido militarmente, novamente está a fazê-lo apenas por orgulho nacional.

Imaginando a China como uma futura superpotência, quão importante para a segurança do Japão é a aliança com os Estados Unidos?

A China está a desenvolver rapidamente as capacidades militares para perturbar a liberdade de ação dos militares dos EUA no Pacífico, isto quando o Japão continua a depender fortemente da capacidade dissuasiva estendida dos norte-americanos. Se os EUA estivessem um dia impedidos de ajudar o Japão, isso prejudicaria a própria base da estratégia de segurança japonesa.

Índia, Austrália, Japão. Quão profunda é a cooperação militar entre estes países que compartilham uma preocupação com as atividades da China nos oceanos Índico e Pacífico?

A Índia está mais preocupada com as atividades militares da China no Oceano Índico e na fronteira terrestre nos Himalaias, enquanto a Austrália com a presença militar da China no Pacífico. O Japão com a presença da China nos oceanos Pacífico e Índico.

A Constituição e a limitação de 1% do PIB para investimento no orçamento militar é uma desvantagem para o Japão? Vê terreno para mudanças na opinião pública para lidar de forma mais dissuasiva com China, Rússia e Coreia do Norte?

O Artigo 9 não proíbe a legítima defesa. E a limitação de 1% não é uma política, pois o principal obstáculo para aumentar os gastos com defesa é a necessidade de responder às despesas da segurança social. O público em geral não está pronto para mudar drasticamente a política atual.

Em todo o mundo vêem-se disputas por pequenas ilhas ou para definição de zonas económicas exclusivas. Isso acontece porque os recursos do oceano podem determinar a riqueza futura de um país?

No caso da Ásia Oriental, trata-se sobretudo de questões políticas e estratégicas. Mar livre vs. mar fechado.

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