Ministros da Defesa português e moçambicano assinam acordo na segunda-feira - Plataforma Media

Ministros da Defesa português e moçambicano assinam acordo na segunda-feira

Os ministros da Defesa português e moçambicano assinam na segunda-feira em Lisboa o Programa-Quadro da Cooperação no Domínio da Defesa 2021-2026, entre os dois países, que prevê a formação das forças especiais de Moçambique por militares portugueses.

O Ministério da Defesa português divulgou hoje que o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, receberá o seu homólogo de Moçambique, Jaime Bessa Augusto Neto, no dia 10 de maio, para um encontro de trabalho bilateral, “com vista à assinatura do Programa-Quadro da Cooperação no Domínio da Defesa 2021-2026, entre Portugal e Moçambique”.

No final de março, Gomes Cravinho revelou à agência Lusa que o programa defende uma “resposta multifacetada” à situação naquele país, e, além da formação e treino de forças especiais, fuzileiros e comandos, inclui outras linhas de cooperação militar no âmbito da formação, nomeadamente as “componentes terra-ar” e informações.

“E acredito também que há muito a ganhar em trabalharmos com drones, que oferecem uma capacidade de recolha de informação que pode ser preciosa. E a nível de informações é outro domínio que vai ser trabalhado”, acrescentou na altura o governante português.

O ministro da Defesa sublinhou que a missão em preparação não é uma Força Nacional Destacada, mas sim uma cooperação entre dois países soberanos que mantêm relações próximas e fraternas.

Quanto à atual situação naquele país, Gomes Cravinho defendeu que o que se passa na província de Cabo Delgado “requer uma abordagem multifacetada e não se resolve de um dia para o outro, mas no horizonte de um par de anos, começando pela situação securitária porque esta é a base para qualquer desenvolvimento, e prestar socorro humanitário às populações afetadas”, defendeu.

A contribuição de Portugal para a formação e capacitação das forças moçambicanas prevê o treino de “sucessivas companhias” das forças armadas, em três a quatro meses, durante três anos, o que representa um “triplicar” do investimento português em projetos de cooperação com aquele país, que existe desde 1988.

Quanto aos locais de trabalho, está previsto que os militares portugueses estarão no sul do país, em Catembe, perto de Maputo, (fuzileiros) e no centro (comandos), disse Cravinho. Em meados de abril seguiram para Moçambique duas equipas-avançadas para darem início, no terreno, às ações formativas.

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 714.000 deslocados, de acordo com o Governo moçambicano.

O mais recente ataque ocorreu em 24 de março contra a vila de Palma, provocando dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.

As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projeto de gás com início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.

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